Caxias fica momentaneamente sem seu principal cronista político


Pensando em sua saúde, Alberto Marques deixa de escrever em seu blog.

Alberto Marques

Alberto Marques / Foto: Reprodução

Em um último artigo deixado no dia 24 em seu blog, o jornalista Alberto Marques escreve sobre as razões desse afastamento, que para ele é definitivo.

Para nós que acessamos sua coluna diariamente, fica a esperança de um retorno e o desejo da plena recuperação de sua saúde.

Com o Artigo entitulado “Fim da Linha”, Alberto Marques fala com decepção  sobre a forma com que o administrador público trata o Erário e sobre o rumo da política em todos os níveis.

Em um trecho …acredito que a alternância entre partidos e grupos no Poder seja benéfico para o Povo, na medida em que, pelo voto, o eleitor interfere na condução do País… mostra-nos seu espírito democrático, reinante em verdadeiras democracias.

Segue o artigo na íntegra:

FIM DA LINHA

Esta será a última postagem do blog. E por dois motivos fundamentais:

1 º – Resolvi aceitar a recomendação médica e deixei de lutar contra a pressão da família, que acredita que, em 51 anos de atuação na imprensa da Baixada, fiz o melhor que pude para ajudar a divulgar a região e combater os erros crassos de administradores, que consideram o Erário como um cofrinho da família e que o dinheiro dos impostos são destinados à compra de quinquilharias nas ruas da Saara:

2º – O sentimento de impotência diante do desastre que se avinha, tal e qual em 31 de março de 1964, com o avanço do lulofacismo, como acabamos de ver em Campo Grande, na sofrida Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde as mais sórdidas políticas paternalistas são erguidas à condição de “salvação nacional” para um povo que vive sob o guante de traficantes e milicianos.

Pela primeira razão, resolvi cuidar melhor da saúde e tentar prorrogar a minha permanência nesse planeta insensato, que insiste em se comportar como o arrogante comandante do navio Titanic, negando as mudanças climáticas e prosseguindo no desmatamento desenfreado. E a derrota de Marina Silva foi apenas mais um sinal de que o nosso fim como espécie se aproxima velozmente.

Com relação ao momento político que o País atravessa, em que a luta pelo Poder saiu do campo das idéias e programas de governo para enveredar pelo campo raso das batalha campais, é desanimador para quem acredita em Democracia e liberdade de pensamento.

Apaixonado por Política desde o suicídio de Getúlio Vargas, sempre acompanhei as campanhas eleitorais, mesmo quando não podia ser eleitor. Desde 1958, não deixei de exercer o direito de voto numa só eleição ou plebiscito. Nesta eleição, porém, dois fatos despertaram o meu temor quanto ao futuro: a possibilidade de um terceiro mandato para Lula, mesmo por interposta pessoa, e a política miúda e de grupos praticada nos partidos que se dizem de oposição. No primeiro caso, acredito que a alternância entre partidos e grupos no Poder seja benéfico para o Povo, na medida em que, pelo voto, o eleitor interfere na condução do País. Tivemos dois claros exemplos do que o continuísmo é prejudicial à governança em anos recentes em Duque de Caxias.

O primeiro exemplo é a comparação entre os dois governos do prefeito Moacyr do Carmo. No período 1967/1971 o município avançou em várias frentes, como Saúde (conclusão do Hospital Duque de Caxias, que se arrastava há 15 anos, e a construção do Hospital Infantil e do Centro de Saúde, além de outros 7 postos pelos Distritos), Educação (ampliação da rede pública, inclusive cerca de 50 escolas em parceria com o Governo do Estado), Transportes (duplicação da Av. Presidente Kennedy entre Vigário Geral e a Praça do Pacificador, além de dezenas de ruas nos quatro distritos), culminando com um audacioso Plano de Desenvolvimento Integrado com vistas aos próximos 30 anos, No segundo, 1994/1997, foram quatro anos de picuinhas entre parentes e aliados do prefeito que, vítima de uma dolorosa e prolongada enfermidade, não tinha forças para se desvencilhar do cerco feito em seu redor, com o afastamento progressivos de dezenas de amigos e colaboradores do primeiro governo.

Com o prefeito Zito, já em seu terceiro mandato, não foi diferente. Depois de um primeiro governo dinâmico, com a realização de um audacioso programa de pavimentação e saneamento de ruas e bairros inteiros nos quatro distritos, construção de escolas, ampliação da rede de saúde e de assistência social, tivemos um segundo mandato voltado apenas para a satisfação dos interesses de grupos que se formaram ao seu redor no primeiro governo. O desastre do segundo mandato se desenha com tintas fortes nesse terceiro mandato, a começar pela fraca votação atribuída às suas candidatas no pleito do último dia 3, em que ele dominava o PSDB, mas não dominava a militância, que se dividiu entre diversos candidatos. O fraco desempenho do PSDB no Rio resultou na pífia votação de Fernando Gabeira para o Governo do Estado, onde os tucanos indicaram o candidato à vice, o ex secretário e ex deputado Marcio Fortes.

No caso da sucessão presidencial, o governador Aécio Neves imaginou que, saindo de Minas com um caminhão de votos para o Senado, terá condições de enfrentar e vencer Lula em 2012, mesmo que às custas da destruição do País pela desastrada administração de Dilma Rousseff, já testada nos caso do apagão e do escândalo envolvendo a sua amiga Erenice Guerra, enquanto Marina Silva, emparedada pelo oportunismo visceral dos “verdes”, saiu de cena sem indicar quem deveria merecer, no segundo turno, os 20 milhões de votos que tivera no primeiro. Tal e qual a ex senadora Heloisa Helena, Maria Silva serviu de “escada” para que a ambição de um grupo de “ambientalistas” se preparasse para partilhar do próximo governo, independente do fato de na cadeira hoje ocupada por Lula estará sentado Serra ou Dilma.

Por isso, resolvi abandonar o campo de batalha e admitir de público que a corrupção, o oportunismo e o peleguismo dominarão o País nas próximas décadas!

Despeço-me agradecendo o apoio e a confiança de mais de 555 mil internautas que me prestigiaram desde 16 de julho de 2006, quando o blog surgiu como uma edição eletrônica da coluna “CAXIAS EM 3 X 4”, publicada no semanário “O Municipal”, o mais antigo jornal ainda em circulação em Duque de Caxias.

Peço licença para relembrar o sempre oportuno discurso do grande mestre Ruy Barbosa, perante o Senado da República, quando aquela Casa do Congresso Nacional era merecedora do respeito e da admiração de todo o País, sem atos secretos ou pagamento de horas extras durante o recesso branco, como está ocorrendo atualmente em Brasília.

“A falta de justiça, Srs. Senadores, é o grande mal da nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação. A sua grande vergonha diante do estrangeiro, é aquilo que nos afasta os homens, os auxílios, os capitais.

A injustiça, Senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade, promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas.De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.

Essa foi a obra da República nos últimos anos. No outro regime (na Monarquia), o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre, as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma sentinela vigilante, de cuja severidade todos se temiam e que, acesa no alto (o Imperador, graças principalmente a deter o Poder Moderador), guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade”.

Blog do Alberto Marques

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3 Comentários em “Caxias fica momentaneamente sem seu principal cronista político”

  • Roberta Barreto escrito em 18 novembro, 2010, 22:31

    Faço votos que o jornalista Alberto Marques se recupere e volte a escrever. Por muitas vezes sua coluna em jornais, revistas e até no blog, nos inspirou o pensamento crítico, renovou a capacidade de indignação e nos trouxe informações em tempo real. Abraços, saúde!!!

  • Cal escrito em 8 dezembro, 2010, 0:08

    Uma pessoa, que não vai fazer falta no jornalismo de Duque de Caxias, antes de escrever algo, deveria primeiro investigar a veracidade dos Fatos, para não prejudicar a imagem de ninguém e nem de empresas!

  • edir soares escrito em 8 dezembro, 2010, 10:17

    Estamos torcendo pelo seu retorno, vc faz parte do jronalismo de informações com veracidade nos fatos . Abraços , paz.

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