Estímulo à ousadia
- sexta-feira, 20 agosto 2010, 21:20
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As novas características do mercado abrem espaço crescente para o espírito empreendedor e diferentes tipos de relação de trabalho.

Imagem / CaxiasDigital
Nem a cultura nem a escola brasileira favorecem o empreendedorismo, que inúmeros analistas identificam como um dos pilares da longevidade e da solidez do desenvolvimento norte-americano. Uma cena comum nos filmes de Hollywood mostra adolescentes e até crianças trabalhando para conseguir uma renda, geralmente para financiar a concretização de um sonho. No Brasil, ao contrário, o trabalho (aqui não se fala de emprego ou de exploração da mão-de-obra infantil, que são coisas muito diferentes e nada tem a ver com a educação para o trabalho) é encarado como uma atividade alheia à formação integral das novas gerações. A imensa maioria das famílias e dos educadores ainda endossa a arcaica ideia de que o diploma de curso superior é sinônimo de emprego certo e bom salário. Infelizmente, eles estão tardando a perceber que a realidade mudou e o que valia até as décadas de 1970/80 hoje não basta para pavimentar a carreira ou muito menos para garantir a renda ou tranqüilidade na vida profissional.
Com um histórico de bem-sucedidos quarenta anos atuando na inserção de jovens no mercado de trabalho, há um bom tempo o CIEE defende a necessidade de estimular o espírito empreendedor dos nossos estudantes e faz sua parte, oferecendo oficinas e workshops gratuitos aos inscritos em seu cadastro de candidatos a estágio. Um sinal da desimportância dada a essa competência pode ser encontrada nos nossos dois principais dicionários. Tanto o Aurélio como o Houaiss não registram a palavra empreendedorismo, que assim está fora do vocabulário oficial do país. O primeiro dedica três verbetes correlatos ao tema e o outro, quatro. O mais próximo é o termo empreendedor, definido como “ativo, arrojado, cometedor” (Aurélio) ou empreender, explicado como decidir realizar (tarefa difícil e trabalhosa); tentar e pôr em execução; realizar (Houaiss).
Só que o empreendedorismo que a família e a escola precisam ensinar ao jovem estudante do século 21 é muito mais. Significa convencê-lo de que precisa se preparar para realizar vôos solos num mercado de trabalho cada vez com menos empregos formais e com mais ofertas de ocupação exercida sem os vínculos tradicionais patrão-empregado. E mesmo os que conseguirem ingressar no quadro funcional de uma empresa só terão sucesso se demonstrarem espírito em suas atividades.
Claro que, como em todas as atividades humanos, existem os chamados talentos natos para o empreendedorismo. Esses deverão ser identificados, estimulados e treinados para assumir o comando de sua carreira ou do futuro negócio, mas outros não tão bem aquinhoados pelo destino poderão aprender a ciência e arte desse estilo de atuação. Além de determinação, suor e autoconfiança, os candidatos a empreender devem desenvolver habilidades múltiplas, algumas definidas a partir do conhecimento do mercado no qual pretendem atuar e outras que podem ser consideradas genéricas, pois são indispensáveis para o sucesso em qualquer área: esforço pessoal, capacidade de relacionamento interpessoal, facilidade de expressão, liderança, etc. E não podem se esquecer dos fundamentais conhecimentos gerenciais e administrativos, que são hoje parte integrante do perfil do profissional flexível, capaz de interagir com os diferentes setores que compõem a organização e de comandar suas próprias equipes com eficiência. Por tudo isso, a experiência está demonstrando que, cada vez mais, o jovem é o motor de seu futuro. E que a concretização dos sonhos profissionais é fruto de um delicado, persistente e realista plano de carreira.
Paulo Nathanael Pereira de Souza é Educador e
Presidente Emérito do CIEE/SP e Nacional
Texto gentilmente cedido pelo Prof. Paulo Pimenta Gomes
Superintendente do Centro de Integração Empresa-Escola – RJ
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