Um museu para guardar a História da Baixada?


CMDC

Com a promessa do vereador Mazinho de mudar a sede do Legislativo para Jardim Primavera, anunciada na sessão solene (5) de homenagem a todos os vereadores eleitos desde 1947, a sede do Poder Legislativo, na Rua Paulo Lins, no que o Governo insiste em chamar de 25 de Agosto, deverá ser ocupada por uma nova instituição, voltada para a preservação da História da Baixada, com destaque para Duque de Caxias.
A iniciativa é meritória, mas enfrentará alguns percalços para se transformar em “pedra e cal” no jargão cartorário do registro de imóveis. Em primeiro lugar, o Poder Executivo deverá oferecer os meios, através de previsão orçamentária, para a desapropriação da área no segundo distrito. Em seguida, a Câmara precisará vencer a pressão dos donos de áreas ainda livres para sediar a Câmara, porque a mudança significará a valorização de todo o entorno da futura Câmara. Um outro óbice, mais difícil de dimensionar a priori, será o custo de instalação e manutenção do acervo que até hoje, a duras penas, o Instituto Histórico Vereador Thomé de Siqueira Barreto vem amealhando.

É público e notório que detentores de arquivos importantes da nossa história recente temem entregar, ao Instituto Histórico, documentos, fotos e objetos de interesse histórico por temerem que, a cada mudança na Mesa Diretora, uma nova direção daquele Instituto resolva considerar esses documentos como imprestáveis ou de pouco valor histórico pois, até hoje, a Câmara não criou uma norma legal para orientar a atuação do órgão encarregado de preservar a memória do município. A volúpia de nossos governantes de tentar reescrever as suas biografias à custa da destruição da nossa História não tem limites.

Fosse o Coliseu Romano uma relíquia em solo brasileiro e, com toda certeza, apareceria um governante disposto a “reformar” ou “concluir a obra”, pois consideraria um despropósito manter os restos do “circo” em que os cristãos eram lançados aos leões na antiguidade. O Estádio Mário Filho, que muitos insistem em chamar de Maracanã, construído para a Copa de 1950, já passou por várias “reformas”, sempre com o objetivo de torná-lo mais moderno. A cada “reforma”, gasta-se mais dinheiro do que na construção de um novo, além de descaracteriza-lo.

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